sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

CULPA DO HOMEM OU CASTIGO DIVINO?

Catátrofes Naturais: culpa do homem ou castigo divino?

O mundo dos homens é uma grande injustiça. Peçamos a Deus para acabar com tanta tragédia. Ver um país inteiramente destruido como é o caso do Haiti nos gera revolta e decepção. Faz-me lembra os antigos povos gregos que afirmavam que os deus eram crueis e vingativos e que por esse motivo muitas calamidades aconteciam. Pois é, hoje sabemos que é tudo culpa nossa e o que é pior, sabemos que os maiores responsaveis não estão nem aí pra nada, mobilizam-se para ajudar a reconstruir, mas não querem parar de destruir, pois seus interesses financeiros falam mais alto. Vamos analisar quem tem mais culpa nessa tragédia toda: Os EUA por ser o maior poluidor do mundo ou o Haiti por ser pobre e não ter se preparado para lidar com catástrofes naturais? E o EUA continua poluindo... e a COP 15, o que conseguimos dos países que mais poluem o planeta? quais saídas teremos? É tempo de repensarmos... Temos tragédias encobrindo tragédias Angra, São Luiz do Paraitinga, São Paulo, Haiti,Cunha, Guaraciaba, etc. Vamos esperar até quando para resolvermos mudar nosso comportamento e colaborar com o meio ambiente? Teremos que perder mais vidas em catástrofes naturais? ou esperaremos que o planeta marte possa ser habitado enquanto matamos a terra? Vamos repensar!!!!

Carla Lima

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A CULPA NÃO É DE SÃO PEDRO

A CULPA NÃO É DE SÃO PEDRO

Por Edson Teixeira

Como admirador e turista extra-oficial da Ilha Grande e Angra dos Reis, não posso deixar de remeter algumas reflexões sobre a falácia que estamos assistindo na porca mídia brasileira. O que lá ocorreu é uma tragédia anunciada. Vejamos três motivos:

Primeiro, não há política de turismo para essa região, com exceção dos tradicionais salões de festas da burguesia brasileira. Esta possui partes inteiras da ilha para ancorar suas lanchas e iates, desfrutando da mais-valia absoluta que extraem dos trabalhadores que subcontratam em suas pastagens empresariais.

Segundo, a população nativa, na Ilha, vive a deus dará. Não há apoio municipal condizente. Os serviços são precários e não incentivam a democratização do espaço "natural". A completa destruição do presídio da praia de Dois Rios é o retrato do descaso do Governo do Estado com o local.

Aquilo poderia ser um centro de memória, mas lembrar o que incomoda não interessa à classe dominante.

Terceiro, o que ocorre em Angra dos Reis é fruto do que ocorre em todo o mundo capitalista. Quem mora na cidade, além das tradicionais "elitinhas" de merda, são os subproletários do Sul fluminense, ou regiões mais distantes, atraídos pelo falso eldorado das empresas que lá se instalaram. - além da possibilidade de algum ganho com o movimento de turistas. Tudo numa precarização humana e social que é visível e correlata à ocupação do espaço urbano.

Angra, com exceção dos condomínios de luxo, não passa de uma favela gigante regida pela especulação imobiliária. Isso não implica acatar, passivamente, os preconceitos comuns quando se fala em favela. Mas, a favelização é um processo mundial, que se alia à precarização das relações sociais trazidas com as políticas neoliberais.

Diante desse pequeno retrato, qual é a espetacularização midiática mais deslavada?
Romantizar o episódio como "tragédia natural", quando de "natural" não há nada na formação social dos povos. Tudo é intencional; tudo é construção humana. Seja pela ação ou omissão do poder público, seja pela sua eficácia ou ineficácia.

Não por acaso somos bombardeados diuturnamente pelos dramas familiares. Em cada lágrima, em cada caixão, não vai uma vida. Vai a vida e o projeto de sociedade de toda uma nação. Daqui a pouco vão querer implantar algo semelhante à firula política de unidade pacificadora na Ilha e em Angra. Ou, talvez, num culto ecumênico fantoche, rezar para que santos e deuses cessem a catástrofe.

Angra é a denúncia do que vem por aí. Ou melhor, do que já é uma realidade perversa. Ocultar essa perversidade é que é uma tragédia - ou uma farsa.

(Edson Teixeira é historiador - doutor em História da Universidade Federal Fluminense, professor universitário, pesquisador e escritor).